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Saúde inteligente e integrada: telemedicina avançada no cuidado ao idoso

Por Wilson Zatt · Médico, CEO e cofundador da Lauduz · CRM-ES 20018
Wilson Zatt, CEO da Lauduz, ao lado de representantes da MedSênior durante o painel de saúde digital integrada no ESX 2026

No ESX 2026, a Lauduz participou de um painel sobre saúde digital, integrada e inteligente ao lado da MedSênior, uma das principais operadoras de saúde voltadas à terceira idade no Brasil. No debate, Wilson Zatt, médico, CEO e cofundador da Lauduz, e Atualpa Aguiar, Diretor de Tecnologia e Inovação da MedSênior, discutiram um tema que deixou de ser promessa e virou necessidade operacional: como fazer a informação clínica acompanhar o paciente ao longo de toda a sua trajetória de cuidado — e não ficar presa em etapas isoladas.

Reunimos abaixo os principais pontos da conversa, com a nossa leitura sobre o que eles significam para gestores de saúde, hospitais e operadoras.

O que é, de fato, saúde integrada

Saúde integrada não é um sistema a mais. É olhar para a trajetória completa do paciente — da atenção primária ao domicílio, do exame ao acompanhamento de crônicos — em vez de tratar cada atendimento como um evento solto. Num país onde o SUS é o maior sistema público de saúde do mundo, conectar essa jornada tem impacto direto no acesso.

O elo que torna isso possível é a interoperabilidade: a capacidade de sistemas diferentes trocarem informação clínica de forma segura e padronizada. Sem ela, cada prestador enxerga apenas um pedaço da história, e o paciente vira o "carteiro" dos próprios dados, levando exames e receitas de um lugar para outro.

Da pandemia ao Telekit®: a trajetória da Lauduz

No painel, Wilson relembrou a origem da Lauduz. A empresa nasceu de um projeto social durante a pandemia, no Rio Grande do Sul, quando mais de 5.000 pacientes foram atendidos gratuitamente por teleconsulta. Aquela experiência expôs um limite claro da teleconsulta convencional: faltavam dados do exame físico e dos sinais vitais para decisões clínicas mais seguras.

Foi dessa lacuna que surgiu o Telekit®, a primeira maleta de telemedicina avançada do Brasil — uma solução de telepropedêutica que leva exame físico e aferição de sinais vitais para dentro da teleconsulta, em qualquer lugar. Muito além de uma videochamada.

Um aporte para escalar: R$ 5 milhões da Quartzo Capital

Durante o painel, Wilson anunciou que a Lauduz recebeu um aporte de R$ 5 milhões da Quartzo Capital, gestora do fundo soberano do Espírito Santo ligado ao Bandes. O investimento tem um objetivo declarado: tornar a Lauduz a maior solução de telemedicina conectada do Brasil, acelerando o desenvolvimento da plataforma e a expansão da telemedicina avançada pelo país.

Do interior do RS ao interesse internacional

A ambição não para nas fronteiras nacionais. No fim do ano passado, a Lauduz apresentou a solução em Lisboa, em Portugal, e percebeu forte interesse vindo da Europa, dos Estados Unidos e da África em levar a tecnologia para outros sistemas de saúde. É um sinal de que a telemedicina avançada nascida no interior brasileiro tem potencial de escala global. Veja mais na cobertura da participação da Lauduz no Web Summit Lisboa 2025.

Dados clínicos conectados: a lição que vem do banco

Um dos momentos mais didáticos do painel foi a analogia com o setor bancário. Hoje, qualquer pessoa acessa sua conta, transfere valores e consulta seu histórico entre instituições diferentes em segundos — porque os sistemas conversam.

Na saúde, ainda estamos longe disso. Quando a informação clínica circula entre prestadores, com segurança e consentimento, o resultado é direto: diagnósticos mais precisos e decisões clínicas mais rápidas, porque o profissional enxerga o histórico completo em vez de recomeçar do zero a cada atendimento.

Os desafios reais: legado, letramento e cultura

Conectar a saúde não é só um problema técnico. O painel foi honesto sobre os obstáculos:

  • Sistemas legados: muitas instituições operam com softwares antigos, difíceis de integrar.
  • Letramento digital: de nada adianta a tecnologia se as equipes não estão preparadas para usá-la no dia a dia.
  • Resistência cultural: mudar a forma de trabalhar é, muitas vezes, o obstáculo mais difícil — mais do que a própria tecnologia.

Reconhecer esses pontos é o que separa um discurso de inovação de uma implementação que realmente funciona no chão da operação.

Segurança e governança: de quem é o dado?

O debate também tratou da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e do papel do termo de consentimento. A síntese foi clara: o dado de saúde pertence ao paciente, mas a gestão técnica e a segurança desse dado são responsabilidade das instituições que o processam.

Não é conversa teórica: Atualpa Aguiar participou, ainda em 2011, da construção do registro eletrônico de saúde que deu origem à RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde) e ao aplicativo Conecte SUS — usado por milhões de brasileiros durante a Covid-19 para comprovar vacinação. Ou seja: integrar dados clínicos exige governança — controle de acesso, rastreabilidade e consentimento explícito. Não é um detalhe jurídico; é a condição para que a saúde conectada seja confiável.

Tecnologia que apoia, não substitui o médico

Num painel sobre inovação, um contraponto importante ganhou espaço: os riscos do uso indiscriminado de inteligência artificial em saúde. Citou-se o caso de um chatbot de IA que, ao simular o atendimento de um paciente com dor no peito e ansiedade, o tranquilizou de forma inadequada — em vez de orientá-lo a procurar atendimento médico imediato.

A lição é direta e alinhada à forma como a Lauduz trabalha: a tecnologia amplia o alcance do cuidado, mas não substitui o raciocínio clínico crítico do profissional. Por isso a telemedicina avançada mantém o médico no centro da decisão, com um profissional de apoio ao lado do paciente e dados objetivos de exame físico — e não uma automação que decide sozinha.

O case Lauduz + MedSênior: telemedicina avançada no domicílio

Foi Atualpa Aguiar quem apresentou o case durante o painel. Ele destacou que a MedSênior tem conseguido melhorar o cuidado domiciliar de seus pacientes com a tecnologia da Lauduz: médicos realizam exames remotos de alta qualidade em idosos e pacientes acamados, sem que a pessoa precise se deslocar.

Essa validação, vinda de quem usa a solução na ponta, reforça o impacto na saúde da pessoa idosa: reduz remoções desnecessárias, aproxima o especialista do paciente e mantém o cuidado contínuo, com dados de exame físico registrados a cada atendimento. É a telepropedêutica aplicada à atenção domiciliar. Conheça os detalhes no case completo MedSênior x Lauduz.

Visão de futuro: o prontuário na palma da mão

A conclusão do painel apontou para um horizonte concreto: a saúde verdadeiramente conectada acontecerá quando o prontuário estiver, de fato, na palma da mão do paciente — acessível independentemente de onde o atendimento ocorra, no público ou no privado. Mais do que um conceito, a saúde conectada precisa ser palpável para o cidadão.

Esse é o norte que orienta a Lauduz: tecnologia que amplia o acesso e conecta o cuidado, colocando o paciente — e seus dados — no centro.

Números do painel

  • R$ 5 milhões: aporte da Quartzo Capital (fundo soberano do ES / Bandes) na Lauduz.
  • +5.000 pacientes: atendidos gratuitamente no projeto social da pandemia, no Rio Grande do Sul.
  • 1ª maleta de telemedicina do Brasil: o Telekit®, desenvolvido pela Lauduz.
  • Presença internacional: solução apresentada em Lisboa (Portugal), com interesse da Europa, EUA e África.
  • 3 anos de sede no Espírito Santo: onde a healthtech desenvolve sua telemedicina avançada.

Principais aprendizados

  • Integração é trajetória, não evento: o cuidado precisa acompanhar o paciente do início ao fim.
  • Interoperabilidade é o elo: sistemas que conversam geram diagnósticos mais precisos e decisões mais rápidas.
  • A barreira maior costuma ser cultural, não tecnológica: legado e letramento digital pesam tanto quanto o software.
  • Governança é pré-requisito: o dado é do paciente; a segurança é da instituição, sob a LGPD.
  • IA apoia, não substitui: o raciocínio clínico do médico segue no centro da decisão.
  • O idoso é um dos maiores beneficiados: telemedicina avançada no domicílio evita deslocamentos e mantém a qualidade do exame.

Sobre os participantes

Wilson Zatt é médico (formado pela Universidade Federal de Santa Maria — UFSM, com Mestrado em Medicina de Emergência), CEO e cofundador da Lauduz, healthtech brasileira de telemedicina avançada nascida de um projeto social durante a pandemia. Sob sua liderança, a empresa desenvolveu o Telekit®, a primeira maleta de telemedicina do Brasil.

Atualpa Aguiar é Diretor de Tecnologia e Inovação da MedSênior e Coordenador do GT de Interoperabilidade da ABCIS (Associação Brasileira de CIOs em Saúde), com 15 anos de experiência em tecnologia na área da saúde, em instituições públicas e privadas. Participou da construção do registro eletrônico de saúde que deu origem à RNDS e ao Conecte SUS.

Perguntas frequentes

O que é saúde integrada?

É um modelo em que a informação clínica acompanha o paciente ao longo de toda a sua trajetória de cuidado — da atenção primária ao domicílio — em vez de ficar fragmentada em atendimentos isolados. Depende de interoperabilidade entre os sistemas de saúde.

Como a telemedicina avançada ajuda no cuidado ao idoso?

Ela permite exame físico e aferição de sinais vitais a distância, inclusive no domicílio. Para idosos e pacientes acamados, isso significa acesso a atendimento de qualidade sem a necessidade de deslocamento, com continuidade do cuidado e registro dos dados clínicos a cada atendimento.

A quem pertencem os dados de saúde do paciente?

O dado de saúde pertence ao paciente. As instituições que o coletam e processam são responsáveis pela sua gestão técnica e segurança, em conformidade com a LGPD e mediante consentimento.

Qual a diferença entre teleconsulta convencional e telemedicina avançada?

A teleconsulta convencional é, essencialmente, uma videochamada. A telemedicina avançada (telepropedêutica) adiciona exame físico e sinais vitais remotos — como os que o Telekit® viabiliza —, dando ao médico dados objetivos para uma decisão clínica mais segura.

A inteligência artificial substitui o médico na telemedicina?

Não. No painel, defendeu-se que a IA e a tecnologia apoiam o cuidado, mas não substituem o raciocínio clínico crítico do profissional. Ferramentas automatizadas podem falhar em situações graves, e por isso a telemedicina avançada mantém o médico no centro da decisão, com um profissional de apoio ao lado do paciente.

O que é o Telekit®?

É a maleta de telemedicina avançada desenvolvida pela Lauduz — a primeira do Brasil —, que reúne dispositivos para exame físico e medição de sinais vitais, transformando qualquer lugar em um ponto de atendimento com telepropedêutica.

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